No infinito das palavras me peguei vagando pelos cantos da minha consciência
para descobrir aquilo que já havia ali, porém ainda não percebido.
Dizer que me conduzirei por onde eu desejo, seria insanidade, mas que o sentimento
conduziria meu desejo, isto sim, seria realidade.
Quisera eu ser justo, correto, puro, mas não, o ser que habita em mim é na realidade não
apenas um, mas sim dois - um para o bem e o outro para o meu avesso.
Conduzir meu avesso é o difícil, conduzir o que todos podem ver, isto é simples.
Quem pode condenar ou perdoar aquilo que está dentro de cada um de nós? - Eu posso? quem pode?
Se não tenho palavras, me calo, se me calo é por que as palavras não podem definir o que sinto, a não
ser que possa demosntrá-lo num olhar, num gesto, num toque.
Para sentir o infinito é preciso sensibilidade, é preciso silêncio, é preciso atenção redobrada - ouvir
é uma arte, compreender o que se ouve, uma preciosidade.
Quando o silêncio atinge o infinito, quem pode buscá-lo? Quando chega ao impossível, quem vai enxergá-lo?
Eu quero entender, quero ver, porém estou cegado pela imensidão das muitas regras que nos cercam o
dia a dia.
Quantas palavras são precisas para indicar um NÃo ou um SIM? talves nenhuma - talves a falta de um
sorriso, a ausência do toque, o não olhar, se ocultar, omitir-se, ausentar-se de qualquer sentimento.
O amor dói somente naquele que o sente, pois tem a coragem de viver, se expor, arriscar, ousar.
Se o navio está no mar, por que o mar não o rejeita? seria indiferença? conveniência? ou aceitação? não sei, quem
pode saber?
Mas continuo nos labirintos da minha mente - percorrendo, perscrutando, atento - tentando encontrar as respostas
que na verdade já sei, porém não as entendi ainda.
Aceitar o impossível? talves, encarar a realidade? coragem? falta de opção, quem sabe? e quem pode escolher na verdade?
Sou realmente eu quem escolho ou apenas vivo os acontecimentos criados e materializados pela minha mente. Isto é real?
Perguntas - eu as faço e lanço ao infinito - tentando compreender as respostas pacientemente, persistentemente - mas
quem pode entender a mente? A minha somente? Não, a nossa.
Somos o silêncio e o verbo, a calmaria e o furacão, o sim e o não, o talves e o quem sabe, o real e o imaginário -
convivendo lado a lado, dois mundos coligados que quando se colidem causam uma revolução.
Seja o que for que aconteça, jamais se pára a roda da vida - a liberdade será o guia e a responsabilidade o semáforo
que controla nosso ser interior.
Estou certo? estamos todos nós? Não sei, mas por que querer controlar isso se podemos conviver em harmonia?
Sejamos tudo aquilo que pudermos ser, e somente isto bastará para conter e saciar nossa sede de infinito das palavras
que nos pegamos vagando pelos cantos de nossa infinita consciência insaciável.
(Claudio Luiz)
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